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114 Minha Filha Carina Rodrigues Dan Rar 〈1000+ BEST〉

Dan, este texto não é uma carta de despedida, nem uma reclamação. É um abraço que atravessa o tempo. É o reconhecimento de que cada pai e cada filha têm o seu número secreto. O nosso é 114. Pode ser o minuto em que o senhor me ensinou a andar de bicicleta (1 hora e 14 minutos de quedas e gargalhadas). Pode ser o verso do poema que o senhor nunca terminou, mas que começava assim: “Minha filha, se um dia eu faltar, procure-me no número 114 — estarei ali, à espera.”

Hoje, eu sou mãe. A minha filha mais nova fez três anos e, ao soprar as velas, pedi um desejo silencioso: que ela nunca precise esperar 114 dias sem ouvir a minha voz, como eu esperei pelos seus telefonemas quando o senhor trabalhou no estrangeiro. Lembro-me de contar cada dia num caderno xadrez. No dia 114, o senhor apareceu na estação de comboios com um casaco demasiado grande e um sorriso cansado. Apertei-o com tanta força que o senhor riu e disse: “Carina, não me quebre as costelas, menina. Ainda tenho de viver muito para a ver crescer.” 114 Minha Filha Carina Rodrigues Dan rar

Com todo o amor que um número pode carregar, Dan, este texto não é uma carta de

Lisboa, 17 de abril de 2026

Carina Rodrigues

Se este texto for um dia encontrado dentro de um ficheiro chamado “114 Minha Filha Carina Rodrigues Dan.rar” — descompactem-no com cuidado. Dentro, há mais do que palavras. Há o barulho do mar na Costa da Caparica, o cheiro a pão quente, uma fotografia desbotada de um homem e uma menina de mãos dadas, e o número 114 escrito em guardanapo de papel, dentro de uma gaveta chamada saudade. O nosso é 114

(Para Dan, sempre.)

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